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Lula embarca para Rússia e China em busca de novos acordos comerciais e diplomáticos

Brasil Goiás 7/5/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca na noite desta terça-feira (6), às 22h, da Base Aérea de Brasília, rumo à Rússia e à China, em missão diplomática que visa ampliar os laços estratégicos, reforçar o comércio exterior e buscar novos investimentos para o Brasil. A viagem oficial inclui reuniões bilaterais, participação em cúpulas regionais e assinatura de dezenas de acordos nas áreas de infraestrutura, inovação, energia e relações internacionais.


Na primeira etapa da viagem, Lula visita a Rússia entre os dias 8 e 10 de maio, a convite do presidente Vladimir Putin. Ele participará das celebrações dos 80 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, que ocorrem em 9 de maio, com um grande desfile militar em Moscou. Também está prevista uma reunião bilateral com Putin e a assinatura de acordos focados em ciência e tecnologia.


Segundo o embaixador Eduardo Paes Saboia, do Ministério das Relações Exteriores, o Brasil busca reequilibrar sua balança comercial com os russos, hoje deficitária, e ampliar as exportações do agronegócio. “Temos forte dependência de fertilizantes e diesel importados da Rússia. Nosso objetivo é ampliar os canais de exportação e garantir estabilidade nas trocas comerciais”, explicou.


Visita à China terá foco em investimentos e cooperação estratégica


Após a passagem pela Rússia, Lula segue para a China, onde participará da cúpula entre o país asiático e os membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), nos dias 12 e 13 de maio, além de realizar uma visita de Estado. A agenda inclui a assinatura de ao menos 16 atos bilaterais, com outros 32 em negociação, conforme informou o Itamaraty.


A comitiva presidencial terá a presença de diversos ministros, incluindo os titulares das pastas da Casa Civil, Fazenda, Minas e Energia, Ciência, Tecnologia e Inovação, além de parlamentares, em um esforço diplomático para intensificar relações com o maior parceiro comercial do Brasil.


“A relação com a China tem alto grau de institucionalização e é estratégica para o Brasil. Estamos falando de parcerias em infraestrutura, tecnologia, inovação e neoindustrialização”, destacou o embaixador Saboia. Ele mencionou ainda o interesse brasileiro em atrair investimentos chineses para projetos de transição energética e capacitação tecnológica.


Encontro com Xi Jinping reforça agenda multilateral


O presidente Lula terá um encontro de Estado com o líder chinês Xi Jinping. Será o terceiro encontro entre ambos desde o início do atual mandato. A expectativa é aprofundar a integração entre os planos estratégicos de desenvolvimento dos dois países, como a sinergia entre projetos brasileiros e a Iniciativa Cinturão e Rota da China.


“A visita deve reforçar compromissos em torno da reforma da governança global, multilateralismo e soluções pacíficas para conflitos internacionais”, afirmou Saboia.


O Brasil reafirmou, ainda, que sua relação com a China não representa um distanciamento dos Estados Unidos. “Valorizamos nossas relações com ambos os países e buscamos um equilíbrio que reflita os interesses brasileiros”, reforçou o diplomata.


Celac e liderança regional


A participação de Lula na cúpula China-Celac destaca o papel de liderança regional do Brasil. Segundo a embaixadora Gisela Padovan, da Secretaria de América Latina e Caribe, o presidente brasileiro é reconhecido como voz influente e mobilizadora na região.


“É uma oportunidade de alinhar interesses da América Latina e do Caribe com a China, com o Brasil exercendo uma função de articulação e diálogo em prol de uma integração mais efetiva”, explicou Gisela.


A Celac é composta por 33 países da região. O Brasil havia deixado o bloco durante o governo anterior, mas retornou sob o terceiro mandato de Lula, em 2023.




O Jornal Folha de Goiás acompanha com responsabilidade e independência as ações internacionais do governo brasileiro, destacando os impactos políticos, econômicos e comerciais para a população de Goiás, Goiânia e todo o Brasil.




Análise crítica


A viagem do presidente Lula à Rússia e à China reafirma a estratégia brasileira de buscar protagonismo geopolítico por meio do multilateralismo e da diversificação de parcerias. Ao mesmo tempo em que se fortalece como um ator global no diálogo Sul-Sul, o Brasil sinaliza ao mercado internacional sua disposição de equilibrar interesses e atrair investimentos estruturantes. A aposta em relações diplomáticas com gigantes como Rússia e China ocorre em momento de tensões globais, e o sucesso da agenda dependerá da habilidade do governo em manter interlocução equilibrada com todas as potências.