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Após “mar de calor e fumaça”, chuva vem aí em parte do País

Denis Cardoso


As previsões climáticas para setembro/24 indicam um cenário de seca severa, com temperaturas elevadas e baixa umidade predominando em grande parte do Brasil. No entanto, há previsão de chuva a partir da segunda quinzena, trazendo alívio para algumas regiões.


A seca que atinge grande parte do Brasil continua sendo o maior desafio para os produtores/pecuaristas, relata o engenheiro agrônomo Miguel Narbot, analista de mercado da Scot Consultoria.


No entanto, com a previsão de chuva a partir de meados deste mês de setembro, espera-se que a situação comece a melhorar em algumas regiões, especialmente no Sul e partes do Centro-Oeste, observa ele, com base em previsões meteorológicas.


“No curto prazo, o manejo adequado de pastagens e a suplementação de rações balanceadas serão essenciais para manter a produtividade”, sugere Narbot.


Para o restante de setembro, continua ele, o grande desafio será a adaptação às condições climáticas adversas e a implementação de práticas regenerativas, como o uso de culturas de cobertura para conservar a umidade do solo. “Para muitos, o mar de secura ainda continuará por mais alguns dias, mas com a chegada da chuva, haverá ‘terra à vista’”, ressalta o analista, que detalha as previsões climáticas no curto prazo em cada regiões do País:


Centro-Oeste


É a região onde a seca atinge de forma mais severa. O mapa de armazenamento hídrico mostra que os níveis de umidade no solo estão abaixo de 10% em grande parte do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.


Isso se reflete diretamente nas pastagens, que estão altamente degradadas. Para o período de 9 a 15 de setembro, a previsão indica poucos volumes de chuva, abaixo de 10mm, em praticamente toda a região.


No entanto, há um sinal positivo, relata o analista da Scot: após a primeira quinzena, as chuvas devem retornar ao Mato Grosso e ao sul de Goiás, com volumes entre 20 e 40mm. As temperaturas na região permanecem elevadas, acima de 30°C, com picos que podem atingir até 35°C em áreas do Mato Grosso e Goiás, complicando ainda mais o manejo de culturas sensíveis ao calor


Sudeste


A região segue com condições climáticas desafiadoras, especialmente nas áreas do interior de São Paulo e Minas Gerais, observa Narbot.


O mapa de precipitação indica que, até 15 de setembro, as chuvas permanecerão escassas, com volumes inferiores a 20mm. O armazenamento de água no solo está crítico, diz o analista, com valores entre 10% e 30%, impactando diretamente a recuperação de pastagens e a produção de grãos.


As temperaturas estão acima da média histórica, variando entre 24°C e 30°C em grande parte da região, com picos que podem ultrapassar 32°C no norte de Minas Gerais e no oeste de São Paulo.


Para essa região, diz o analista, a expectativa de chuvas regulares só aparece a partir do final de setembro, com volumes esperados de 30 a 50mm, especialmente no sul de Minas Gerais e São Paulo.


Norte


Conforme o mapa de armazenamento de água no solo, o Norte do Brasil apresenta uma situação de armazenamento hídrico crítico em algumas áreas, com valores abaixo de 20% no Tocantins e parte do Pará.


Porém, há uma expectativa de melhoria, com precipitações previstas para a faixa norte da região, especialmente em Roraima e Amapá, que podem acumular entre 50 e 100mm.


As temperaturas na região, no entanto, continuarão elevadas, acima de 30°C, o que pode dificultar a evapotranspiração eficiente das culturas.


Nordeste


O sertão nordestino segue em seu ciclo de seca, como já é esperado para esta época do ano. A maior parte da região permanece com armazenamento hídrico entre 10% e 30%, o que agrava a situação das pastagens e cultivos perenes.


As temperaturas médias estão acima de 26°C, podendo ultrapassar os 30°C no Piauí, Maranhão e Bahia. As chuvas ainda são escassas, com volumes inferiores a 20mm até 15 de setembro. No entanto, algumas áreas costeiras podem experimentar pequenas chuvas, especialmente no litoral do Ceará e Pernambuco.


Sul


O Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentam melhores condições de armazenamento de água no solo, com níveis acima de 60%. A previsão de chuvas indica que o Rio Grande do Sul e o Paraná devem receber precipitações entre 40 e 80mm a partir 15 de setembro, o que trará boas condições para o desenvolvimento das culturas de inverno, como trigo e aveia.


As temperaturas, por sua vez, permanecem amenas na maior parte da região, com médias entre 16°C e 22°C.


Contudo, a chegada de frentes frias pode trazer episódios de queda acentuada de temperatura, com possibilidade de geadas em áreas de maior altitude no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Essa variação térmica pode impactar a produção de frutas e culturas de inverno, exigindo cuidados redobrados, alerta Narbot.


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